- O piso nacional do técnico em enfermagem é R$ 3.325 para jornada de 44 horas semanais.
- Se sua jornada é menor (30h ou 36h, comum na área), o valor é proporcional.
- Adicional noturno, insalubridade e plantões extras entram por cima do piso.
- Especializações como centro cirúrgico e UTI são o caminho mais rápido para subir de faixa.
Essa é provavelmente a primeira pergunta de quem pensa em fazer o curso técnico. E a resposta honesta é: existe um número oficial, mas ele é só o ponto de partida da conta.
O piso nacional: R$ 3.325
A Lei 14.434/2022 criou um piso salarial nacional para a enfermagem. Ela fixou o valor do enfermeiro em R$ 4.750 e definiu os demais como percentuais disso: o técnico em enfermagem recebe 70%, ou seja, R$ 3.325, e o auxiliar recebe 50%, R$ 2.375.
Vale saber de um detalhe que quase ninguém conta: esse valor não é reajustado desde 2022. O artigo do projeto que previa correção anual pela inflação foi vetado na sanção. Na prática, o piso está congelado em termos nominais enquanto o custo de vida subiu — o que torna acordos coletivos e adicionais ainda mais decisivos no salário real.
A conta muda conforme a sua jornada
O piso foi vinculado a 44 horas semanais. Mas boa parte da enfermagem trabalha 30h ou 36h. Nesses casos o valor é proporcional, e a fórmula é simples:
(R$ 3.325 ÷ 44) × sua jornada semanal
| Jornada semanal | Piso proporcional |
|---|---|
| 44 horas | R$ 3.325,00 |
| 40 horas | R$ 3.022,73 |
| 36 horas | R$ 2.720,45 |
| 30 horas | R$ 2.267,05 |
Valores calculados pela proporcionalidade prevista para o piso. Servem de referência mínima: acordos e convenções coletivas podem estabelecer valores superiores, e o salário efetivo depende do contrato.
O que entra por cima do piso
É aqui que a diferença aparece entre dois técnicos formados no mesmo ano.
Adicional noturno
Quem trabalha entre 22h e 5h recebe acréscimo sobre a hora trabalhada. Em escalas de plantão noturno, isso pesa bastante no fim do mês.
Insalubridade
Devida conforme o grau de exposição a agentes biológicos, muito comum em ambiente hospitalar. O percentual e a base de cálculo variam segundo a norma aplicável e o acordo da categoria.
Plantões extras
Muitos técnicos complementam a renda com plantões avulsos em outra instituição. É uma prática consolidada na área — e uma das razões pelas quais a renda real costuma superar o piso.
Especialização
Esse é o fator que você controla. Técnicos com formação em instrumentação cirúrgica, UTI ou enfermagem do trabalho acessam vagas e escalas mais bem remuneradas do que quem tem só a formação base. São cursos de cerca de 6 meses, feitos depois do técnico.
E em Goiânia, especificamente?
O piso é nacional, então vale igual em Goiânia, Aparecida, Trindade ou Senador Canedo. O que muda localmente é o volume de vagas — e aí a capital joga a favor: Goiânia concentra hospitais de referência, uma rede grande de clínicas de imagem e serviços de home care em expansão, além dos concursos municipais e estaduais.
Na prática, isso significa duas coisas para quem está começando: há oferta de emprego suficiente para entrar, e há para onde crescer sem precisar mudar de cidade.
Vale a pena fazer o curso técnico?
Se a pergunta for "existe caminho mais curto entre estudar e ter carteira assinada na saúde", a resposta é não. São 18 meses de curso, com estágio supervisionado já incluído, e um piso salarial garantido por lei federal — algo que a maioria das profissões de nível técnico não tem.
E, diferente de setores que oscilam com a economia, hospital não fecha. A demanda por equipe técnica é estrutural.
Comece pelo curso certo
Técnico em Enfermagem no Colégio Oswaldo Cruz: 18 meses, 600h de estágio supervisionado e turmas de manhã, tarde, noite e sábado. Matrícula R$ 45.
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